21 de maio de 2009

Strindberg


Erik Johansson

Strindberg

Agora que morremos, a vida pode enfim recomeçar.
Agora que a vida parou, podemos falar uns dos outros sem o espectro da ofensa.
Agora basta olhar como nos era dado muito pouco, muito menos do que suspeitámos.
Espreitando entre portas, pressentimos as peças que faltavam,
subentendidos,
falangetas perdidas como elos naturalistas espalhados pela floresta.
Rumores de anões atarefados e cogumelos a crescer nos bastidores,
brumas no sótão e corridas de ratos na casa da lenha
rigorosamente
empilhada para o inverno.

Para viver tínhamos que esquecer prazos e limites.
Desleixados, não sorvíamos a vida a plenos pulmões.
Distraímo-nos e adiámos a eternidade em troca do urgente.

Parece que Nietzsche viu isto e enlouqueceu.

5 comentários:

Guenievre disse...

Caramba!...

Guenievre disse...

Caramba!...

rosa disse...

e ainda direi mais guenievre: caramba!...

ana disse...

ando a pensar nisto desde que li isto e não encontro palavras, caramba!...

blue disse...

eu idem, caramba!